sábado, 2 de maio de 2026

TIP

 

 

Muito bonita, Milla Fernandez chega a São Paulo como um furacão incendiando o palco do Teatro YouTube/Eva Herz com muita garra e energia ao relatar sua experiência como “camgirl”(**) durante a pandemia da Covid em 2020/2021, com o intuito de se sustentar e sobreviver.

A peça é uma autoficção, mas vem recheada de fatos não acontecidos saídos da imaginação da autora.

O primeiro terço da peça é um desabafo lufado em alta velocidade (às vezes até incompreensível) onde Milla conta os antecedentes de sua experiência. No restante do espetáculo ela “dá uma aula” de como entrar nesse universo erótico virtual e depois ilustra com vários casos acontecidos com ela durante sua exposição como “camgirl”.

Para tanto a atriz desdobra-se no palco com invejável vigor físico dançando, falando, tocando sax e cantando de maneira admirável. Há até uma deliciosa dança dos pés, iluminada com carinho por Rodrigo Portella.

Rodrigo Portella, em mais um exemplo de sua criatividade, dirige o espetáculo e a interpretação de Milla a partir do cenário e da iluminação criadas por ele. Milla desloca-se em perfeita sintonia com os focos de luz, driblando com incrível domínio as dobras dos dois tapetes vermelhos que compõem o cenário.

É digna de nota a trilha sonora criada por Federico Puppi e por Leonardo Bandeira. O figurino flexível vestido por Milla é de autoria de Karen Brusttolin.

Milla Fernandez mantém o público “aceso” nas quase duas horas que dura o espetáculo, algo surpreendente quando se trata de um monólogo.

Pode parecer superficial da minha parte escrever que a figura de Milla me remeteu à exuberância de Norma Bengell e sua interpretação me fez lembrar de Marília Pêra em alguns momentos. Espero que a atriz veja isso como um elogio 

TIP está em cartaz no Teatro Youtube/Eva Herz até 31/05. Sexta e sábado 20h. Domingo 17h. 

(*) – Gorjeta em inglês. 

(**) Direto da wikpedia: “Uma modelo de webcam, também conhecida como camgirl , é uma mulher que atua na Internet através de imagens de webcam ao vivo. Um modelo de webcam geralmente realiza serviços sexuais (como striptease e masturbação) em troca de dinheiro, bens, atenção, ou gorjetas (tip)” 

02/05/2026

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

FIM DE PARTIDA

 

Samuel Beckett (1906-1989) escreveu suas três peças mais conhecidas entre 1948 e 1960, período de pós guerra, onde reinava certo ar de desesperança em uma Europa devastada pela segunda guerra mundial.

Esse clima sombrio e de falta de perspectiva está presente em “Esperando Godot” (1948/1952), “Fim de Partida” (1957) e “Dias Felizes” (o título mais irônico do teatro!) (1960) e, com certeza “Fim de Partida” é a mais desesperançada das três peças.

Entre

- “É o fim. Isto vai acabar. Talvez...acabe” dito pelo personagem Clov no início da peça e

- “Visto que isso é assim... seja assim e... não falemos mais nisso”, últimas palavras de Hamm agora totalmente solitário já que Clov e o pai não respondem mais aos seus chamados.

acontece a ação da peça que é um suceder de diálogos entre Hamm um homem cego, paralítico e autoritário e seu serviçal (?) Clov, submisso e infeliz.

Em certos momentos entram em cena Nagg e Nell, pais de Hamm que repousam, até felizes, em duas latas de lixo.

Das três peças, “Fim de Partida” talvez seja aquela de maior dificuldade de comunicação com o público, mas isso não é problema para Rodrigo Portella, diretor do presente espetáculo, que o faz com rara sensibilidade.

Considero Portella “l’enfant terrible” do teatro brasileiro.

Desde o memorável “Tom na Fazenda” em 2017, ele vem colecionando sucessos de crítica e de público com espetáculos muito bem sucedidos (“Insetos”, “As Crianças”, “Ficções”, “[Um] Ensaio Sobre a Cegueira”, “O Motociclista no Globo da Morte”, são algumas das encenações que chegaram em São Paulo). Estão estreando em São Paulo este “Fim de Partida” e “Tip”. “Deus da Carnificina” está em cartaz no Rio de Janeiro e já há outro trabalho em ensaios por lá.

Currículo invejável nessa trajetória de menos de dez anos a partir de “Tom na Fazenda” que o qualificam para o título que lhe dei acima.

A encenação de “Fim de Partida” em cartaz no SESC Pinheiros é primorosa desde o cenário limpo, mas claustrofóbico de Daniela Thomas e iluminado pelo sempre brilhante Beto Bruel. Os figurinos são de Antonio Guedes e a trilha sonora com toques de humor felliniano assinada por Federico Puppi já prepara o público para o que há de vir com a cortina ainda fechada. Portella harmoniza todo esse conjunto com as interpretações soberbas do elenco.

O toque de mestre do diretor já se faz presente no início da peça quando se ouve uma gravação com as rubricas da peça e Clov se movimenta de acordo com as mesmas.

Helena Ignez (Nell) e Ary França (Nagg) brilham nos momentos que lhes é permitido colocar as cabeças fora das latas de lixo.

Marco Nanini empresta seu talento mais que comprovado na composição do inerte Hamm, onde toda interpretação depende apenas da parte vocal, pois não vemos os seus olhos nem movimentos corporais.

Grande destaque para Guilherme Weber que interpreta Clov curvado o tempo todo com toques piolinianos(*), chaplinianos e fellinianos, tudo ao mesmo tempo! Belíssimo trabalho.

Tudo isso faz de “Fim de Partida” um espetáculo absolutamente IMPERDÍVEL.

Cartaz do SESC Pinheiros de 30/04 a 31/05. Quarta a sábado, 20h. Domingo, 18h. 

(*) Refere-se a Piolin (1897-1973), um dos palhaços mais engraçados e humanos surgidos no circo brasileiro. 

01/05/2026

segunda-feira, 27 de abril de 2026

LAS NEURONAS

 

LAS NEURONAS CRISTIANE, ANA LUIZA e MANUELA e EU
Foto de Laís Marques

“A arte tem de ter algo que me tira do chão e deslumbra”

(Ferreira Gullar) 

O grupo OPOVOEMPÉ e a dramaturgia de Cristiane Zuan Esteves já haviam me surpreendido em 2020 com o instigante “Na Polônia, Isso É Onde?” e a mágica de surpreender e deslumbrar repete-se com “Las Neuronas” que infelizmente assisti no último dia em cartaz.

Partindo de um tema espinhoso que é o perigo do uso desenfreado da internet, das redes sociais e agora da inteligência artificial, Cristiane parte da obra da neurocientista espanhola Nazareth Castellanos (1977-) para desfilar elementos da relação cérebro/corpo e da apreensão dos perigos da exposição abusiva às redes sociais por meio de neurociência.

Tais assuntos poderiam resultar em espetáculo, ou melhor, aula didática, cansativa e soporífera, no entanto a dinâmica direção da autora e as deliciosas interpretações dela, de Ana Luiza Leão e de Manuela Afonso tornam o trabalho extremamente prazeroso de ser assistido.

As três atrizes atuam em rara sintonia com a plateia, encarando fraternalmente o público, buscando uma cumplicidade com o mesmo para o alerta proposto. Pequenos jogos, como aquele com o uso dos hashis (varetas de madeira usadas como talheres na cozinha japonesa) são oferecidos ao público, que se entrega prazerosamente à dinâmica da encenação.

Não aprendendo a lição de casa proposta pela peça consultei a inteligência artificial para saber que “neurônios são células especializadas do sistema nervoso, funcionais básicas, responsáveis por receber, processar e transmitir informações via sinais químicos e elétricos”. As nossas queridas "neuronas” (ao que me consta o termo não existe no feminino e é uma licença poética utilizada pelo grupo) se encarregam de transmitir informações ao público via sinais lúdicos. poéticos e extremamente teatrais, o resultado pode ser observado nas expressões de leveza e alegria do público ao deixar a sala de espetáculos.

Com participações extremamente equilibradas cada atriz tem seu momento de destaque, todas elas brilhando nos solos e n as cenas de conjunto.

A sintonia ocorre nas sucessivas trocas de olhares das atrizes com o público.

Mais que nunca é válida a expressão que é quase uma súmula do espetáculo: “REALIDADE É AQUILO EM QUE PRESTAMOS ATENÇÃO”. Abaixo a leitura superficial de “reels”, e notícias que só se completam ao acessar os comentários que vêm recheados de propagandas e todo lixo presente nas redes sociais)

LAS NEURONAS entretém, diverte e nos faz pensar qual é a nossa posição perante todos esses perigos.

A peça saiu de cartaz do ºAndar neste domingo (26/04), mas preste atenção que existe a possibilidade de nova temporada. Em caso positivo, não faça como eu que deixou para o último dia e corra para assistir.

E de lambuja é sempre bom ser recebido com muito afeto por Ana Paula e Anayan no aconchegante café do ºAndar. 

26/04/2026

domingo, 26 de abril de 2026

AS PALAVRAS DA NOSSA CASA E A VILA SECRETA

 

Foto de Hernani Rocha

O que seria do teatro e das artes em geral se não houvesse os loucos que investem a própria alma para realizarem os seus sonhos abrindo assim novos horizontes para nossa tão destratada cultura.

Adriana Câmara é uma dessas loucas que desde 2017 vem realizando seus espetáculos imersivos/itinerantes que já circularam pela Oficina Cultural Oswald de Andrade, Casa das Rosas, Vila Itororó, Theatro Municipal e Hotel San Raphael. Desta vez o local escolhido foi a mansão existente dentro da Vila Secreta, um oásis dentro do emaranhado de casas e prédios no sobe e desce montanhoso da Aclimação.

A Vila Secreta é um espaço surpreendente que nos transporta para o São Paulo colonial do século XVIII graças a um capricho do colecionador Raful de Raful (mais um louco) que construiu no vasto quintal de sua casa uma vila, utilizando material original da época. A visita é um mergulho delicioso ao passado da cidade e inclui um museu com toda a coleção de objetos de Raful, harmoniosamente distribuídos pela Vila. O simpático Victor Raful (outro louco), neto do colecionador, mantém a casa e conduz a visita ao local. O público que vai assistir à peça tem essa visita como um gratificante bônus, mas as visitas guiadas podem ser reservadas no site https://vilasecreta.com.br

Vila Secreta fica na Rua Rubi, 50 na Aclimação.

Após a bela visita, o público de apenas 18 pessoas adentra o casarão onde vai acontecer “As Palavras de Nossa Casa”.

As personagens Eva (Adriana Câmara) e seu marido Victor (Glau Gurgel) já estão em cena, ou melhor, na sala de sua casa aguardando a chegada de Charlotte, cantora famosa, mãe de Eva (Gizelle Menon), há muito tempo distante da filha.

O texto elaborado em conjunto pelo elenco inspira-se em alguns filmes de Ingmar Bergman, principalmente “Sonata de Outono” que mostra os acertos de contas entre mãe e filha por meio de um embate onde ódio e amor se chocam a cada instante.

Por meio de uma encenação realista, Adriana dirige a cena focada na interpretação do elenco (do qual ela faz parte) fazendo o público cúmplice e participante do que está acontecendo. Em vários momentos se sente vontade de intervir nas ações das personagens.

Percorrendo os vários cômodos da casa e subindo e descendo várias vezes as escadas o público acompanha com emoção os dramas dessa família. A simpática e gentil Letícia Alves monitora o deslocamento do público pelos diversos ambientes onde ocorrem as ações.

Glau Gurgel tem uma participação discreta, mas muito boa, como o pastor marido de Eva. Adriana e Gizelle incumbem-se com muita garra dos papeis da filha e da mãe.

Espetáculo muito especial assistido apenas por 18 privilegiadíssimos espectadores a cada sessão. Por isso CORRA para reservar um lugarzinho na mansão de Eva e Victor.


Os privilegiados de 25/04/2026

A peça encerrou uma temporada mais que relâmpago no sábado, dia 25 de abril, mas a boa notícia é que já há algumas sessões agendadas:

- 31/05 – 15h – ESGOTADO

- 31/05 – 18h – ESGOTADO

- 27/06 – 15h e 18h – INGRESSOS DISPONÍVEIS

Adriana Câmara está negociando datas para julho e agosto com Victor Raful, da Vila Secreta, mas ainda é incerto, por isso procure garantir o seu ingresso nas sessões já agendadas.

 

Vendas por este link:

https://www.sympla.com.br/produtor/vilasecretasp

Mas, se já tiverem esgotado os ingressos, a pessoa interessada pode preencher nossa lista de espera que avisaremos quando marcarmos outras sessões:

https://forms.gle/wiuK2JK1HUad76u88 

26/04/2026

 

 

 

 

 

sábado, 25 de abril de 2026

A LINHA SOLAR

 

      “Nós vamos discutir a noite toda e os dois vão ter razão, eu e você”

Casal acertando contas e discutindo calorosamente a relação é tema recorrente na dramaturgia contemporânea. Desde “Quem Tem Medo de Virginia Woolf” de Edward Albee várias foram as peças que trataram do assunto, sendo “Finlândia” de Pascal Rambert, o último bom exemplo que chegou aos palcos paulistanos. Na dramaturgia brasileira vale destacar “Mão na Luva” de Oduvaldo Vianna Filho que termina com a emblemática frase citada em epígrafe e o memorável      “De Braços Abertos” de Maria Adelaide do Amaral.

Agora chegou a vez dessa pérola intitulada “A Linha Solar” escrita pelo dramaturgo russo Ivan Viripaev (1974 -) e muito bem traduzida para o português por Elena Vássina e Aimar Labaki com diálogos ágeis e cortantes, um verdadeiro ping pong verbal que Carol Gonzalez e Chico Carvalho defendem com unhas e dentes. Outro grande mérito do texto, mantido na encenação, é a presença do humor, mesmo que no todo a cena seja densa e trate de assunto muito sério.    

O casal Barbara e Werner discute exaustivamente sobre o lado bom e o lado ruim de cada um e na visão deste espectador é a linha solar do título que divide metaforicamente esses lados.

A beleza da encenação de Marcelo Lazzaratto deve muito ao sofisticado desenho de luz assinado por ele que reforça e complementa aquilo que se passa em cena e também à dinâmica movimentação dos intérpretes realizada em boa parte sobre cadeiras com rodinhas, cujo resultado é quase um balé sobre oito rodas!! Louve-se também a direção de arte creditada a Simone Mina e a assistência de direção de Marina Vieira, que segundo eu soube, muito contribuiu com o trabalho de Lazzaratto.

Fotos de Bob Sousa

O que seria de tudo de isso se não tivéssemos elenco à altura? Carol Gonzalez interpreta Barbara com raiva e paixão sempre com um toque de ironia e humor e Chico Carvalho é brilhante (a personagem Barbara diz que Werner é um diamante!!) na composição de Werner somando este memorável trabalho a tantos outros que já realizou; seu “gestus” em cena e a perfeita dicção são uma aula de teatro para quem deseja se enredar na profissão de ator ou atriz.

Cabe lembrar o mérito de Carol Gonzalez por ter descoberto esse texto de Ivan Viripaev e idealizado o projeto e produzido a encenação.

O “maestro” Lazzaratto rege toda essa “orquestra” com rara sensibilidade oferecendo ao público um espetáculo que já se inscreve entre os melhores do ano. 

A LINHA SOLAR está em cartaz no CCBB/ São Paulo de 24/04 a 17/05. Quintas, sextas e segundas 19h / Sábados e domingos 18h.

NÃO PERCA!!! 

25/04/2026

segunda-feira, 20 de abril de 2026

TRAVESSIA

 

Foto do elenco de Bob Souza

É inegável a beleza cênica de “Travessia”. As cenas de conjunto fazem jus e transcendem a grandeza do quadro “A Balsa Medusa” do pintor francês Géricault (1791-1824) com os movimentos do elenco belamente coreografados por Reinaldo Soares.

Duas premissas da encenação de Gabriela Mellão são muito louváveis: a primeira é se valer de culturas diversas na formação do elenco (além dos brasileiros há a presença de africanos e outros latino americanos) e a segunda é relacionar o naufrágio mostrado no quadro de Géricault com a situação de imigrantes que fogem de seus países em embarcações sem segurança.

Completam esses lados positivos da encenação a iluminação sempre “luminosa” de Aline Santini, a discreta cenografia de Camila Schmidt se utilizando de lençóis esvoaçantes, a trilha sonora de Federico Puppi e a excelência do elenco do qual fica difícil fazer algum destaque, mas sempre fazendo lembrar de Vitor Britto, Prudence Kalambay, Mariama Bintu Bah e Miriam Rinaldi.

Gabriela Mellão rege todos esses elementos com mão de mestre e criou a dramaturgia a partir de uma criação coletiva com o elenco e aí talvez esteja o maior problema da encenação, pois com todos os aspectos positivos citados acima o espetáculo poderia ter resultado muito melhor não fosse a dramaturgia bastante prejudicada pelo excesso de referências e pela falta de costura entre cenas isoladas que são belas, mas que destoam do todo e fogem da premissa da encenação. Para este espectador esses fatos alongam desnecessariamente o espetáculo e dão uma sensação de incompreensão do todo.

TRAVESSIA está em cartaz no SESC Belenzinho até 03/05. Quinta a sábado, 20h. Domingo e feriado, 18h30. 

20/04/2026

domingo, 19 de abril de 2026

OLEANNA

 

“Qualquer que seja o lado que você fique, você está errado”

(David Mamet)

Em primeiro lugar louve-se a qualidade do texto do dramaturgo norte-americano David Mamet (1947 -) escrito em 1992 que, por meio de diálogos ágeis e consistentes, nos mostra o embate entre John, um professor universitário muito seguro de si e Carol, uma aluna de classe social inferior que está com dificuldades em acompanhar o curso.

Na primeira parte da trama o professor vale-se de sua retórica e, detentor do poder naquele momento, procura manipular a jovem em função da inferioridade (intelectual e de classe) que vê nela.

Na segunda parte, Carol sentindo-se humilhada e assediada pelo professor o denuncia por elitismo, sexismo e até assédio físico fazendo com que ele possa perder as possibilidades de uma promoção; agora é ela que detém o poder, enquanto ele tenta convencê-la a retirar a denúncia.

Esse ping pong de poder e de argumentos é o cerne da peça levando o espectador a cada momento,  dar razão a um dos lados, fazendo valer o pensamento de Mamet em epígrafe.

O jogo entre as personagens proposto pelo autor é complexo e exige intérpretes de alto nível e isso é o que não falta a Velson D’Souza e Juliana Gerais que se entregam de forma brilhante ao embate. O espectador tem o privilégio de apreciar tanto a personagem que tem a vez de falar como as reações daquela que a escuta. Momentos mágicos que só a arte teatral tem o dom de oferecer.

Daniela Stirbulov, uma jovem encenadora que já havia surpreendido em “O Mercador de Veneza”, reitera seu talento com uma direção enxuta totalmente focada na interpretação realista de Velson e Juliana, cuja proximidade com o público cria um clima de cumplicidade com o mesmo.

O cenário (Carmem Guerra) e os adereços (Rebeca Oliveira) também de cunho realista se fantasiam um pouco com a iluminação mais impressionista de Fran Barros.

Todos esses fatores colaboram para tornar esta montagem de “Oleanna”, um dos pontos altos da temporada teatral paulistana de 2026.

Curiosidades:

1 - Por que “Oleanna”? David Mamet retirou o título de uma canção folclórica norueguesa que recebeu letras em inglês de Pete Seeger e que fala de Oleanna, um lugar onde a utopia seria possível.

2 – A peça teve duas montagens importantes apresentadas nos palcos paulistanos: em 1996 com Antonio Fagundes e Mara Carvalho dirigidos por Ulysses Cruz e em 2015 dirigido por Gustavo Paso com Luciana Fávero como Carol e Miwa Yanagizawa/Walter Breda revezando-se no papel do professor.

3 – A versão cinematográfica dirigida pelo autor data de 1994 tendo William H. Macy e Debra Eisenstadt como intérpretes 

OLEANNA está em cartaz no Espaço Convivência do Teatro Vivo até 07 de junho. Sexta e sábado 20h e domingo 18h.

NÃO DEIXE DE VER! 

19/04/2026